A Relação Brasil & Japão
Apesar de separados na distância pela geografia, os laços de amizade entre Brasil e Japão são tradicionalmente fortes. A história dos dois países se entrelaça a partir de 1908, com a chegada do navio japonês Kasatomaru , trazendo ao Brasil os primeiros imigrantes. Atualmente, o Brasil chama atenção do Japão, não somente por ser um dos países de maior destaque na América Latina, mas também por abrigar a maior população de descendentes de japoneses fora de seu país de origem. Recentemente, o Brasil se tornou a nação fora da Ásia de onde saem a maior parte dos imigrantes que chegam ao Japão, em busca de estudo e trabalho, invertendo assim o grande fluxo migratório do início do século XX.
A Atuação da JICA
As relações de cooperação técnica entre Brasil e Japão são reguladas pelo Acordo Básico de Cooperação Técnica Brasil-Japão, um tratado assinado em agosto de 1971. Em 1976, dois anos após sua fundação, a JICA iniciou seus trabalhos no Brasil, funcionando inicialmente como um escritório anexo da Embaixada do Japão. Hoje em dia, a JICA possui dois escritórios no país: um em Brasília, responsável por assuntos da cooperação técnica e outro em São Paulo, encarregado pelas atividades relacionadas à comunidade nikkei.
Desde o início das atividades da JICA, na década de 70, o apoio oferecido ao Brasil pelo Japão, assumiu grande importância histórica para os laços de amizade entre os dois países. Até o presente momento, o montante acumulado de fundos enviado ao Brasil pela cooperação técnica supera os 96 Bilhões de Ienes (cerca de 1,7 bilhão de Reais). Isto coloca o Brasil na 6ª posição entre os maiores receptores de auxílio japonês via cooperação técnica dentre todos os países do mundo - o maior receptor de cooperação fora do continente Asiático.
O período mais marcante desta cooperação ocorreu nas décadas de 80 e 90 (século XX). Este foi um período de apoio intenso, no qual vários projetos foram implementados e um canal de transferência tecnológica consolidou-se, caracterizado pelo grande fluxo de peritos japoneses enviados ao Brasil e de bolsistas brasileiros enviados ao Japão.
Diretrizes da Cooperação
As atividades da JICA nos países em que atua são baseadas em um programa de prioridades, o qual é definido em conjunto com o próprio país, em consultas bilaterais. No caso brasileiro a grande prioridade da JICA para a realização de projetos e intercâmbio tecnológico é o meio-ambiente. Além deste tema, uma outra prioridade pode ser indicada: a Cooperação Tripartite, isto é, a triangulação entre Japão, Brasil e terceiros países na cooperação internacional.
Pelo fato do Brasil se encontrar e um estágio mais avançado em relação a outros países em desenvolvimento e ser um dos maiores acumuladores de cooperação japonesa prestada, sua posição de apenas receptor de cooperação vem mudando nos últimos anos. Hoje o Brasil é um grande parceiro da JICA na cooperação internacional, principalmente em se tratando da cooperação triangular entre a JICA e os países da América Latina e os países falantes do português, como Angola, Moçambique e Timor Leste.
A parceria formada entre JICA, Agência Brasileira de Cooperação (ABC - MRE Itamaraty) e as instituições brasileiras - que foram receptoras de cooperação técnica japonesa - é responsável pelo oferecimento de mais de 10 cursos de treinamento por ano para técnicos de mais de 20 países. Os cursos oferecidos atualmente podem ser encontrados na seção do site Programa de Treinamento para Terceiros Países (TCTP).
E para se manter fiel a sua missão de combate a todas as desigualdades, a JICA toma como prioritárias as regiões Norte e Nordeste do Brasil, para a execução de projetos e o oferecimento de bolsas. O objetivo é atacar as desigualdades socioeconômicas onde elas são mais agudas e contribuir na redução da desigualdade regional.